Segundo Miriam Leitão, as empresas brasileiras não estão sabendo contratar. Elas se prepararam para um mundo em que tinha muitos trabalhadores para pouco emprego.

“Importar mão de obra e, no entanto, há milhões de brasileiros desempregados. Será que as empresas brasileiras estão sabendo, realmente, recrutar? É isso que eu tenho me perguntado muito desde que os empresários começaram a falar de apagão de talentos ou apagão da mão de obra.

O Brasil tem sete milhões de desempregados. Numa cidade como Salvador, são 22% de desemprego entre jovens. Podem até dizer: não há a mão de obra que se precisa. Na minha conversa com pessoas que estão procurando emprego, o que eu vejo é que as empresas brasileiras não estão sabendo contratar. Elas pararam para um mundo em que tinha muito trabalhador ofertado e pouco emprego. Aí ficaram exigentes: não aceitam sem experiência ou acima de 40 anos. Tem gente acima dos 35 anos que não pode mais colocar o currículo na empresa.

Tem muita gente sendo barrada nesse baile. Essa é a hora do nosso baile, a hora em que o mercado de trabalho está bom. Nada contra os estrangeiros, às vezes ele até chega com uma nova visão e uma nova formação, mas acho que as empresas têm de mudar seu conceito e sua forma de trabalhar.

Uma saída é dialogar mais com as universidades, como acontece lá fora, ou investir em cursos profissionalizantes. Está faltando integração. As empresas têm de ir às universidades para procurar bons alunos e já começar a investir antes de terminar o curso. Às vezes eles terminam e ficam tão aflitos procurando e acabam indo embora do país. Tem muita gente que foi embora em momentos difíceis e pode estar querendo voltar neste momento e tem qualificação.

As empresas devem abrir a mente e saber que neste momento elas têm de mudar seus conceitos. Existem áreas onde, de fato, há gargalo. As empresas precisam contratar imediatamente e não tem mão de obra, como na engenharia. Esse gargalo existe, porque o Brasil errou ao longo de sua história inteira na educação. Não nego o gargalo, mas acho que tem mais gente para ser aproveitada. Ainda tem muito jovem procurando emprego e recebendo não, ficando com insegurança.

Os jovens precisam ser procurados. E também é hora de parar com essa história de 40 ou 50 anos ser velho. Nosso conceito de velhice envelheceu, já dizia Ana Amélia Camarano, e nós temos de trabalhar com os brasileiros. É hora de procurar os talentos aqui – e tem muito talento.”

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