A definição genérica mais amplamente aceita sobre o conceito de Negócios Sociais remete a iniciativas que, utilizando de mecanismos de mercado, focam a superação de problemas sociais.

No entanto, é muito grande a variação de entendimentos e práticas relacionadas a esse tipo de empreendimento nos diversos países do mundo. O nascimento e a caracterização dos Negócios Sociais reflete em grande escala as peculiaridades e interesses dos territórios em que estão inseridos. Nessa série de dois artigos, compartilho brevemente algumas percepções sobre o viés dado pela Europa, Estados Unidos, e Brasil no que se refere o entendimento desse novo tipo de negócios.

As Social Enterprises européias, por terem ganhado corpo no contexto da crise do Welfare State, parecem ter em sua gênese a lógica de “terceirização” de serviços públicos. Isso se dá mais intensamente no âmbito da ação social e da inserção de populações marginalizadas desempregadas (as chamadas WISEs – Work Integration Social Enterprises). Reforçado pela cultura da economia social e da forte tradição cooperativista, enfatizam prioritariamente a questão do modelo de governança na caracterização de uma Social Enterprise.

De acordo com a definição da rede de pesquisadores EMES (Emergence of Social Enterprise in Europe), “Social Enterprises podem ser definidas por organizações com o objetivo explicito de beneficiar a comunidade, criadas por um grupo de cidadãos e onde o retorno do investimento feito pelos investidores é sujeito a limites”.

Valorizando aspectos que mitigam ações de autointeresse de indivíduos, a Europa tem evoluído sua legislação para melhor enquadrar as Social Enterprises. A inspiração principal vem do modelo das cooperativas sociais, as quais já possuem leis específicas em diversos países do continente.

A realidade nos EUA parece ser bem distinta. Apoiados na cultura do “indivíduo empreendedor” os americanos tendem a caracterizar Social Enterprises enquanto iniciativas desenvolvidas por pessoas ou organizações não governamentais, em busca do financiamento de sua causa social.

Interessante que também parece entrar no entendimento americano as iniciativas sociais das grandes corporações. Isso faz com que nesse grande balaio possam estar juntas desde iniciativas ligadas à responsabilidade social empresarial, até instituições criadas exclusivamente para perseguir a geração de valor social.

As Social Enterprises americanas podem adotar as mais distintas formas organizacionais, processos de governança ou sistema distribuição de lucros. Não há legislação específica. A essência neoliberal parece permear a formação desses novos empreendimentos.

Me pergunto: Como estamos criando o ambiente dos Negócios Sociais no Brasil?

Nota: Esse texto faz parte de uma série de dois artigos de Fernando Assad, que falam um pouco da conceituação e entendimento sobre negócios sociais. Fique de olho para ler o próximo capítulo!

Texto de Fernando Assad

Fonte: Next Billion Brasil