Há diferenças expressivas entre os conceitos e práticas de Negócios Sociais nos distintos países do mundo. A motivação de seu aparecimento, a estrutura organizacional adotada, os objetivos finais, e diversas outras características específicas são condicionadas pelo contexto social, político e econômico do país em que se insere.

No primeiro artigo desta série compartilhei algumas reflexões sobre o “mito de origem” e algumas características relativas às Social Enterprises na Europa e Estados Unidos. Sem dúvida, dado o dinamismo das transformações sociais, a variedade de modelos de Negócios Sociais operando nessas regiões transcende a delimitação aqui apresentada. No entanto, é interessante notar os interesses e expectativas frente a esse tipo de empreendimento nas distintas regiões.

A pergunta que fica é: Como estamos criando o ambiente dos Negócios Sociais no Brasil?

Em uma primeira análise superficial, vemos que há pelo menos duas principais vertentes indutoras da formação dos Negócios Sociais no Brasil. A primeira delas  é a vinculada às organizações do terceiro setor. Trazendo em sua história a luta dos movimentos sociais no contexto da redemocratização do pais, foca a questão da defesa dos direitos, e busca desenvolver estratégias de geração de receita prioritariamente para manutenção e potencialização das atividades que já realiza.

Um bom exemplo desse caso é a Cooperativa Dedo de Gente. Nascida como conseqüência das atividades educativas promovidas pelo CPCD junto a jovens do Vale do Jequitinhonha, tem como foco principal os processos de aprendizagem e desenvolvimento humano.

A segunda vertente é a relacionada aos “novos empreendedores sociais”. Tendo como base a lógica de mercado, visa desenvolver uma nova geração de negócios cujos produtos e serviços contribuam para a redução da pobreza. Podemos citar nesse caso o SolarEar, um empreendimento nascido com a proposta de produzir e comercializar aparelhos auditivos de baixo custo, que funcionam com pilhas recarregáveis a partir de energia solar, e que emprega deficientes auditivos no processo de produção.

Relacionando-se cada um à sua forma com os desafios do tradeoff impacto social versus sustentabilidade financeira, esses empreendimentos trazem em seu DNA o modus operandi e os vícios e virtudes de seu setor de origem. Fica, dessa maneira, a impressão de que os Negócios Sociais no Brasil, assim como em outras partes do mundo, estão nascendo de uma “reforma” na já antiquada divisão entre segundo e terceiro setor.

Creio que a grande contribuição que esse tipo de empreendimento pode trazer é a inovação nos arranjos institucionais. Algo que transcenda a lógica da divisão por setores e objetive um fim comum.

O Brasil pode ser uma grande liderança nesse sentido. Empresários responsáveis, empreendedores sociais de ponta e talento para inventar novas soluções nós seguramente temos!